Depende de Quem?

Noite de sábado, amigos, reggae. Eis que uma moça me chama para ajudar àquela de que todos fugiam, a mesma que de cabeça baixa se sentia envergonhada pelo simples fato de não conseguir ir sozinha ao banheiro. Na sua cadeira com rodas, balançava de um lado para o outro, cheia de receio, constrangimento. Lá fui eu. Está fresco em minha memória o olhar que desta recebi, parecia me agradecer incansavelmente e ao mesmo tempo demonstrava preocupação. Perguntou-me no mínimo cinco vezes se eu sentia nojo e sorriu o dobro de vezes ao ouvir em tom de brincadeira um: - Fica em paz e deixa a ‘faxina’ aqui comigo! rs. Acredito que uma das coisas mais difíceis de aceitar na vida seja a dependência. A criança que sente vontade, chora, faz sinais, mas depende do instinto materno pra conseguir àquilo que está em cima do armário. O adolescente que planeja todo seu final de semana, conversa com os amigos, sonha, mas depende de uma provação do pai carrancudo que não acha importante aquele passeio. A jovem que estuda, se esforça, faz a prova, mas depende de uma série de fatores para ser aprovada e entrar na faculdade. Ou o outro jovem que não consegue ficar sem seu baseado durante o dia mesmo que seja apenas um ‘tapinha’, mas a dependência o faz um viciado. Tem ainda aquele senhor, chamado pelos seus de ‘anfitrião’ da casa, que sente a necessidade de tomar seu copo de pinga porque acha que depende dele para ter um dia mais agradável deixando assim sua senhora e filhos entristecidos por sua ‘independência’. O velhinho de cabelos brancos apoiado em sua bengala, caminhando lentamente até a caixinha que guarda o remédio para manter o diabetes controlado. Os surdos, que dependem de pessoas interessadas em aprender sua cultura e língua para conversar e se interar. Aquela moça, que foi citada lá em cima, que depende da sua cadeira, de pessoas e bons corações para se sentir gente como a gente. E assim vai... aquela ‘dependênciarada’ que vemos por aí! Olhando para trás, reavaliando a vida, percebi que apenas uma dependência faz-me sentir o inverso de tudo isso. Uma dependência que me faz forte, corajosa, livre, especial, me faz acertar o caminho, corrigir meus erros e o melhor de tudo, faz de minha vida um propósito e de mim, ÚTIL. Eu optei por depender, viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser uma eterna aprendiz dAquele que por essa terra passou, se fez um de nós, amou, sofreu, morreu e ressuscitou para que tivéssemos o privilégio de sermos chamados de filhos. E você, depende de quem? Teka.
Escrito por Teka às 11h42
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